Hoje chego a um marco muito especial: completei oficialmente meus primeiros seis meses no Google!
É difícil acreditar que meio ano já se passou. Depois de muitos e muitos anos esperando pela oportunidade certa de entrar nesta empresa, posso dizer com toda a certeza que a experiência tem sido tudo o que eu esperava. Tem sido uma jornada e tanto, repleta de desafios incríveis, pessoas sensacionais e um ritmo de inovação impressionantemente rápido.
Neste artigo, quero compartilhar alguns destaques da minha trajetória até aqui.
Falando em ritmo acelerado#
Se eu tivesse que resumir esses últimos seis meses em uma única palavra, seria intensidade.

Tive o privilégio de participar de 15 eventos em 8 cidades diferentes de 5 países (para quem tiver curiosidade: Londres, Berlim, São Paulo, Curitiba, Bletchley, Florença, Barcelona e Málaga).
Conectar com pessoas desenvolvedoras presencialmente, ouvir o que estão construindo e compartilhar conhecimento sempre foi minha paixão — e fazer isso nessa escala tem sido empolgante demais. (Sim, a IA sugeriu a palavra “estimulante”, mas como sou uma fã convicta de Dr. Stone, vou deixar passar desta vez.)

Na parte de conteúdo, escrevi 15 artigos para este blog e publiquei o Codelab de Gemini CLI e MCP em Go. Também fiz pequenas contribuições para projetos open source e documentação.
Me refatorando#
Só existe uma coisa no mundo que cresce mais rápido do que a quantidade de frameworks JavaScript: ferramentas de IA.
Para mim, pessoalmente, o maior desafio tem sido acompanhar a velocidade insana do desenvolvimento em IA. O ecossistema nunca para de evoluir. Do Vibe Coding e Agentes ao Model Context Protocol (MCP), somados a um fluxo contínuo de novos modelos e ferramentas, manter-se atualizada é uma tarefa monumental.

Quando comecei minha jornada no Google em abril, eu não fazia ideia do que era MCP e quase não tinha experiência prática com vibe coding. Seis meses depois, hoje eu vivo e respiro essas tecnologias.
Considero-me muito sortuda por ter tido essa oportunidade de me requalificar, já que a minha versão anterior já estava entediada com a mesmice de “vamos criar mais uma API CRUD”. Não digo que esse conhecimento se tornou obsoleto — a base técnica continua sendo essencial —, mas que alívio não precisar escrever todo o código na mão sozinha. Incorporar IA ao meu fluxo de trabalho foi um divisor de águas e deu novo fôlego à minha carreira.

Conectando com a comunidade#
Em um cenário de transformações tão rápidas, é fácil se sentir sobrecarregada. Minha estratégia tem sido focar no que faço de melhor: continuar próxima das comunidades de Python e Go.

Embora eu guarde um carinho especial por todas as comunidades de desenvolvimento — não consigo nem expressar em palavras o quanto adoro interagir com devs do mundo todo —, fincar os pés nesses dois ecossistemas me ajudou a navegar pela revolução da IA com mais foco e clareza de propósito.

Meu cérebro com TDAH certamente quer abraçar o mundo e estar em todo lugar, mas o foco é indispensável. Há quem diga que acompanhar duas comunidades já é demais para uma pessoa só, mas tanto Python quanto Go têm um lugar reservado para mim desde que comecei a rodar o circuito de conferências, lá no início de 2017.
Ser a palestrante de abertura da Python Brasil em 2018 ainda é um dos pontos altos da minha carreira, empatada no topo com meu keynote na GopherCon (Chicago) em 2024. Falando em Chicago, estou planejando revisitar testes de mutação em Go muito em breve; fiquem de olho!
Uma vitória pessoal#
Embora as conquistas profissionais sejam maravilhosas, minha maior realização desde que entrei é pessoal: celebro 16 kg a menos (e contando)!
Com toda a comida liberada no escritório do Google e a rotina intensa de viagens, essa conquista foi no modo hard! Quero apenas ressaltar que trabalhar com o que você ama faz verdadeiras maravilhas pela sua saúde mental.

Quando você está em um ambiente acolhedor, fazendo um trabalho que te realiza, isso gera um efeito positivo em cascata em todos os outros aspectos da sua vida.
Olhando para o futuro#
Estou incrivelmente orgulhosa de fazer parte do Google em uma época tão empolgante. Estamos construindo o futuro, e estar no olho do furacão dessa transformação é a realização de um sonho.
Ao olhar para os próximos seis meses e além, sinto-me repleta de gratidão e entusiasmo. Há muito mais a aprender, inúmeras comunidades com quem se conectar e, claro, muito mais “vibe coding” pela frente.
Nunca parem de sonhar. Se eu consegui, vocês também conseguem!
P.S.: Antes de me julgarem, já aviso que eu uso travessões nos meus textos desde muito antes da IA generativa existir — embora este artigo tenha contado com uma forcinha do Gemini para organizar as ideias :)




