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Qualquer Pessoa Pode Fazer Vibe Coding? O Futuro da Engenharia

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agentic coding career vibe-coding
Daniela Petruzalek
Autora
Daniela Petruzalek
Developer Relations Engineer at Google

Introdução
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Você acredita que uma pessoa sem formação em engenharia consegue criar uma aplicação pronta para produção usando apenas “vibe coding”? Essa é a pergunta sobre a qual tenho refletido bastante ultimamente.

O cenário da IA está evoluindo a passos largos, com ferramentas incríveis surgindo praticamente todos os dias. É natural que muita gente fique apreensiva e comece a “profetizar” o fim da carreira de engenharia de software. Veja o Jules, por exemplo: um agente de IA capaz de automatizar diversas tarefas rotineiras de engenharia, como atualizar dependências, escrever documentação, refatorar código e até criar testes.

Se essas fossem as únicas contribuições que você traz para a mesa como engenheira ou engenheiro, talvez fizesse sentido se preocupar. Mas o medo não é necessariamente um vilão: ele nos empurra para fora da zona de conforto e nos encoraja a assumir riscos que de outra forma evitaríamos. Na medida certa, o medo impulsiona o autodesenvolvimento e a inovação.

Afinal, o que é a Engenharia?
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Talvez eu não seja a pessoa ideal para responder a essa pergunta porque, embora tenha cursado Engenharia Elétrica na faculdade, eu nunca cheguei a me formar. Ainda assim, posso garantir que, mesmo sem o diploma, o tempo que passei no curso foi fundamental para moldar a minha mentalidade na hora de abordar problemas ao longo de toda a minha carreira.

Um dos momentos mais marcantes que me influenciaram foi uma aula magna com o Prof. Dr. Ewaldo Mehl (UFPR), discutindo a carreira de engenharia com a nossa turma de calouros. Entre várias colocações brilhantes, uma ficou gravada na minha memória até hoje — mais de 20 anos depois — sobre a essência do que fazemos… Ele disse algo como: “Os engenheiros são os profissionais mais próximos dos deuses (…) porque nós não apenas consertamos coisas, nós as criamos.”

Sim, eu sei que essa fala solta fora de contexto soa estranha, mas o ponto central da conversa girava em torno do “complexo de Deus” que algumas profissões, como a Medicina, frequentemente enfrentam. Meu professor estava apenas brincando com isso ao dizer que os engenheiros não deveriam se sentir inferiores aos médicos, porque seríamos nós os verdadeiros donos desse complexo. (Peguem leve nos comentários, era início dos anos 2000 e ainda estávamos muito perto dos anos 90! :-)

Há um ditado popular de onde eu venho que diz que “no fundo de toda brincadeira há um fundo de verdade”. Tirando os exageros de lado, o Prof. Mehl tinha razão em um ponto essencial: quando removemos todas as ferramentas, na nossa essência, somos criadores. A forma como criamos evolui. Começamos criando com as próprias mãos e matéria-prima bruta. Depois vieram ferramentas manuais, computadores e robôs. Agora, estamos entrando na era da IA.

Portanto, sempre que você pensar sobre a carreira de engenharia — e se ela vai morrer ou não —, lembre-se da necessidade humana intrínseca de criar coisas novas. Nós sempre estaremos iterando, melhorando e inovando. Essa é uma característica tão fundamental da natureza humana que não consigo acreditar que vá desaparecer, seja nos próximos 5 anos ou no próximo milênio.

Mas a forma como criamos e aperfeiçoamos as coisas… essa sim, com certeza vai mudar.

Orquestrar, e Não Apenas Codificar
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Acredito que a revolução da IA vai nos libertar do trabalho repetitivo e maçante para que possamos nos concentrar no aspecto mais fascinante do nosso trabalho: arquitetura, design, planejamento e validação de soluções.

Não estou dizendo que programar seja chato. Muito pelo contrário: como a maioria das pessoas que trabalham com engenharia de software, eu adoro programar. Mas manter código profissional em produção é muito diferente de programar por pura diversão. Existe uma quantidade enorme de código que precisamos escrever que não agrega valor direto ao objetivo final que queremos atingir.

Pense em todos os requisitos não funcionais, como segurança, logging, telemetria, métricas e redes; nas horas gastas configurando ambientes, fazendo deploy, testando e validando; em todos os passos de setup para integrar camadas de aplicação, bancos de dados e assim por diante… Boa parte do que fazemos no dia a dia serve apenas para “fazer a coisa funcionar”, e não para resolver o problema de negócio em si.

Mesmo tarefas aparentemente simples, como colocar este blog no ar, me custaram alguns dias inteiros de trabalho: precisei configurar meu ambiente de desenvolvimento, pesquisar qual era a melhor ferramenta para blogs em 2025, avaliar opções de hospedagem, entender as convenções e a estrutura da plataforma escolhida (como o Hugo organiza sites), testar vários templates antes de escolher um, pesquisar como integrar comentários aos posts… e a lista continua.

Como tudo isso se relaciona com o problema real que eu queria resolver? São etapas necessárias, sem dúvida, mas eu só as executei porque precisava “fazer a infraestrutura funcionar” — e não porque essa era a minha meta final.

O que eu realmente queria era criar uma fonte única de verdade (source of truth) para publicar meus artigos e, posteriormente, distribuí-los automaticamente para várias plataformas (como Medium, LinkedIn, etc.) a fim de alcançar mais pessoas. Eu ainda nem consegui atacar esse objetivo central porque precisei cuidar de cada pedacinho do pipeline de desenvolvimento de uma nova aplicação, da concepção ao deploy.

Não seria incrível se pudéssemos abstrair toda essa sobrecarga e simplesmente pedir a uma IA: “gere uma plataforma de blog completa para mim, com tudo pronto para rodar”?

É aqui que a IA vai se tornar absurdamente poderosa. Com o advento da IA Agêntica (Agentic AI), logo teremos centenas de agentes à nossa disposição para orquestrar todas as etapas do ciclo de vida de software. A nós caberá o papel principal de idealizar novas experiências, enquanto a “operacionalização” fica por conta dos agentes. Eles vão codificar, fazer deploys e iterar. Vão pesquisar opções por nós e apresentar caminhos, para que possamos decidir de acordo com a nossa visão.

Pode parecer difícil visualizar isso sem um exemplo palpável, e é por isso que sou apaixonada por ficção científica: ela nos permite espiar o futuro. Pense no computador de bordo de Star Trek… Acredito que, em poucos anos, estaremos interagindo com computadores exatamente como Geordi La Forge faz nesta cena — o processo de engenharia se torna um diálogo colaborativo, em vez de um esforço solitário da pessoa engenheira.

Já chegamos lá? Ainda não, mas a IA Agêntica é o próximo salto para transformar o futuro de Star Trek em realidade. Já dá para sentir que a IA será um divisor de águas ainda maior do que foi a própria internet. Como pessoas desenvolvedoras, precisamos nos atualizar para essa “próxima geração” (com todo o trocadilho pretendido).

Então, Qualquer Pessoa Pode Fazer “Vibe Coding”?
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Talvez não qualquer pessoa, mas a barreira de entrada está caindo drasticamente. As habilidades fundamentais estão evoluindo, mas o papel da engenharia de conceber, arquitetar e criar continua firme e forte — e continuará por muito tempo.

O que você acha? Você se vê atuando de forma mais estratégica e “hands-off”, guiando a IA para dar vida às suas ideias? Vamos bater um papo nos comentários!

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